quinta-feira, 15 de março de 2007

tela subversiva


"Existem dois tipos de pessoas neste mundo, os que adoram este filme e os que odeiam!" Bom, pra falar a verdade existe só um tipo, as que adoram. Vi "Il Buono, il brutto, il cattivo" quando tinha cerca de 12 a 13 anos de idade, na madrugada da Globo, com meu pai. Imaturo, simplesmente gostei do filme, a impressão, aliás, a vontade é de que o filme não termine nunca. A história é tão envolvente, tão forte que parece que Tuco e "Loirinho" vão continuar cruzando o caminho um do outro, Tuco tentando ganhar uma do protagonista. Enfim, muita coisa já foi dita sobre o filme mas algumas impressões me permanecem. Primeiro: é o filme em que as coisas se tornaram graúdas em termos de produção de faroestes rodados na Itália, se Leone abriu o caminho com seus dois primeiro filmes, mais humildes em termos de investimento, este aqui extrapolou com cenários maiores, mais atores, apetrechos, trens, etc, alçando o gênero ou sub-gênero à condição de cinema de entretenimento respeitado "overseas", por assim dizer, faturando milhões e gerando centenas de congêneres. Pontos geniais do filme: primeiro: aquela armação toda do início, três mau encarados chegando num bar no meio do nada e adentrando de arma em punho. Segue-se um tiroteio e Tuco atravessa uma janela de vidros, sobe no cavalo e dispara sem rumo. A câmera filma os três, um deles ferido no braço, caídos e se percebe que tratava-se de caçadores de recompensa que não lograram êxito em coletar os U$ 2.000,00 pela cabeça do "Rato", sem que nada seja dito, segundo e mais genial ainda: "Biondo" está para ser morto por Tuco no meio do deserto, com a .45 engatilhada e com o cano virado para a sua cabeça, quando surge uma diligência cheia de sulistas mortos. Tuco, oportunamente, ladrão que é, furta os objetos dos defuntos quando um deles se mostra vivo pedindo por água e prometendo a quem o ajudar U$ 200.000,00 em ouro. Os olhos de Tuco brilham e ele exige que o moribumdo lhe diga onde está o ouro. Bill Carson fala que está numa sepultura no cemitério de "Colina Triste", sic, mas não diz qual o nome na sepultura pedindo água. Tuco vai buscar seu cantil em êxtase por ter se deparado com tal situação enriquecedora, quando se volta de seu cavalo, vê blondie próximo a Bil Carson que agora jaz sem vida na carroça. Possesso, Tuco chuta o Loirinho espraguejando e puxa sua arma para dar fim ao "pig", o qual profere o seguinte: "if you do that you always be the poor rat that you already are!" Tuco fica confuso e pergunta: o que foi que Carson disse a blondie que responde - "A name, in a grave!" Simples, preciso, genial. A música de Morricone neste filme é a quintessência da trilha musical para filmes western. Nunca foi nem nunca vai ser superada. Enfim, poderia ficar horas falando das qualidades deste filme. Não sei se ouvi falar ou vi no documentário "C'éra una volta il sogno americano" um fã de Leone com uma faixa escrito "Ford não é nada" ou algo semelhante. E não é mesmo.

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